O direito de ser idiota

Existe uma frase que gosto de usar para dar perdão às ações, loucuras e à inconstância da adolescência: todo mundo tem o direito de ser idiota até os 19 anos, se após esta idade a pessoa continuar idiota, não há salvação mais. A pessoa era criança, de repente todos lhe exigem uma identidade, muitas vezes sem alternativa, ela se espelha em seus irmãos ou seus amigos da escola e/ou alguma porcaria.
Lembrei disso lendo este texto, do amigo Marcel Dias.

Ontem mesmo eu perdi um dos meus preconceitos e fui ver um vídeo do Felipe Neto (éééJess surpreendendo pra bem ou pra mal), em que ele analisava os livros e a saga de filmes Crepúsculo. O ponto aqui não é dizer o que achei, nem promover o garoto (ele não precisa disso).

Em seu texto, o Marcel salientou o comportamento dos adolescentes em relação às críticas do Felipe Neto, e os comparou os xiitas. Foi apropriado, em vista das proporções dos movimentos que declaram ódio ao vlogueiro.

Voltando à frase inicial, todo mundo tem o direito de ser idiota até os 19 anos, sim, mas isso tem limite. Defender Fiuk, Restart, Crepúsculo, Justin Bieber e qualquer outro ídolo teen como uma religião, ou pior, como um estilo de vida, sendo que são apenas produtos é compátivel a dizer que eu tatuei a embalagem do Nescau no braço, e que “Energia que dá gosto!” é meu lema de vida.
As crianças que estão nesses movimentos não aprenderam que primeiro devem honrar à sua própria família e respeitar seu próprio corpo; pois se assim fosse, estariam mais preocupadas em estudar do que passar o dia na internet, vestidas como seus ídolos, declarando ódio à pessoas que só expõem suas opiniões. Gostar, ouvir? Quem somos nós pra proibir? De maneira alguma, se tal é correspondente à idade deles, dentro da cultura imposta em 2010, e disso eles não conseguirem se desvencilhar, não há muito o que se possa fazer.

Foi citado nos comentários: “Não é agora que crianças de 11/12 anos vão começar a ouvir música que preste e ler filosofia clássica por causa de alguns vídeos na internet com um cara criticando os outros com um cabelo modernoso. E nem deveriam.”

Bom, conheci crianças fãs de Mozart, leitoras de Jane Austen, e até um garoto que leu a Bíblia com 9 anos (e não é um fanático). E com 13 anos, eu já manifestava meus primeiros interesses por Voltaire. Impossível? Então devemos nos conformar com a juventude inserindo coliformes fecais no cérebro e ainda contando vantagem disso? Que, pois, fazer?

Qual a melhor abordagem para com os jovens, afinal? Duas horas de aula expositiva sobre quão grande foram os escritores do realismo brasileiro, enquanto todos tuitam e conversam com seus colegas, ou então 10 minutos de vídeo de alguém muito pouco mais velho que eles, que, na linguagem deles, expõe o quão ridícula é a adoração à coisas cujo conteúdo baseia-se numa porcaria comercial que apenas visa ao lucro?

Não sou fã do Felipe Neto, mas reflitam.

Recadinho: semana que vem terá uma promoção imperdível! Aguardem ^^

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11 comentários sobre “O direito de ser idiota

  1. Eu sinceramente não acho que uma pessoa que tenha este tipo de “valores” de hoje vá se tornar um adulto muito melhor amanhã. A cabeça não aprende a pensar, só a consumir e ser consumido, e odiar quem pensa diferente de vc…
    Lembrei do episódio em que descobrem que a Robin era uma cantora teen, e que morria de vergonha disso (com razão) mas ela cresceu, e é exceção, na minha dura opinião.

    A pergunta que eu me faço é: Pra onde podemos fugir desse lugar?

  2. Muito interessante seu blog, e especialmente estes textos. Eu realmente não sei se a educação dada em casa tem o poder de definir se uma criança se tornará jovem com opinão e personalidade ou influenciado pelos modismos. Não acho que ninguém deva ser criticado por seus gostos, mas que é assustador esse fanatismo descabido dos adolescentes, que se juntam para exprimir adoração a o que quer que seja que eles considerem ícones, ah, isso é. Pequenas seitas, eu diria!
    Gostei daqui. Voltarei.

  3. Eu sou fã do Felipe Neto! hahahaha Ele expressa minhas indignações cm mt classe hahaha Eu me preocupo seriamente cm o futuro da cultura brasileira….. Acho que precisamos pressionar o governo urgente para que seja investido em educação, para que fechem as faculdades de licenciatura e deem uma boa formação pedagogica pra esses professores! É a única salvação.

  4. A pergunta que eu me faço é: Pra onde podemos fugir desse lugar? [2]

    Sou fã de Felipe Neto também e o vejo como alguém que fala coisas que a maioria de nós que estamos vacinados dessas modinhas pensa e gostaria de dizer.
    Pena que sejamos a minoria e que eles sejam tão ignorantes a ponto de não ouvirem uma crítica e refletir sobre ela.
    Se bem que quem ouve músicas do happy “rock” não parece refletir sobre muita música

  5. E eu que me achava niilista.
    Jess, não se preocupa, a melhor coisa da adolescência é que ela acaba. Gerações anteriores sobreviveram a coisas piores… Sério, não queira saber o que foi a década de 80.
    E no fim das contas, pessoas maravilhosas vão emergir desses casulos coloridos, histéricos e fãs da narrativa simplória da Stephenie Meyer. Aí elas vão olhar pra trás e rir do próprio ridículo, enquanto não entendem como os filhos enveredam pelo mesmo caminho. C'est la vie.
    E acredite, o Brasil nem o mundo vão se tornar um lugar pior depois ou por causa disso. Bom, isso é só o que eu acho.

    Mudando de assunto, parabéns, seu blog é bem legal. To seguindo você no twitter, espero que você seja tão interessante lá quanto é aqui!
    Abs!

  6. Eu vivo dizendo que odeio os teenagers. Quando eu tinha 13 anos não sabia que gosto tinha comida japonesa e minha mesada não dava para pagar um jantar no Outback. Então, quando vejo uma turminha de adolescentes nesses lugares, cheios de si, querendo ser todos adultos (e, na realidade, cumprindo o típico papel que é ser adolescente), fico extremamente irritada. Ainda mais sabendo quem são seus ídolos e 'cultos'.

    Nessa idade, assim como você, eu tinha outros gostos. Ouvia Guns n' Roses, Queen, Engenheiros do Hawaí… Lia Sidney Sheldon e clássicos de Agatha Christie… minha maior aventura era ficar no meu quarto curtindo tudo isso… e olha que eu nasci em 1988. mas, enquanto isso, uma série de amigos muito próximos curtiam BackStreetBoys e Spice Girls, além de nunca terem lido um livro.

    Mas, concordo com o Ruy: no final das contas, eles cresceram, enfrentaram um montão de coisas aí fora e hoje, morrem de vergonha de ter curtido esse tipo de coisa.

    Acho que já disse demais! Rs.

    Abs!

  7. Ruy e Kátia, concordo com a visão de vocês. Eu, não muito diferente dessa geração, também tive gostos musicais dos quais me arrependi posteriormente. Todavia nunca tive tal devoção exagerada, como a que eles possuem hoje, e isso é o que acho que pode fazer dessas pessoas, adultos muito mais irresponsáveis, e com uma vida muito mais problemática do que a da nossa geração.

  8. Esses caras devem saber o quão babacas eles ficam… mas ganham dinheiro com isso… então não se importam…

    Um problema dos pré-adolescentes é que ainda estão descobrindo o mundo, não tem opinião formada mas pensão que tem e ai é que está o problema. Isso fica evidente no vídeo daquela fã do fiuk atacando o Felipe Neto, aonde ela se enrola nas próprias palavras, repete a mesma coisa toda a hora e parece conhecer o mundo como ninguém.

    A moda agora são garotos-meninas, acho que algum psicólogo descobriu a mente das garotas e vendeu as idéias para a mídia… sei lá… xD
    auhsauhsuahs

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