Mitos e considerações sobre as verdades apresentadas em Adventure Time

Adventure Time ou Hora de Aventura, como conhecemos aqui no Brasil, é uma série animada bastante interessante e talvez uma das melhores dentre as que atualmente estão em exibição. Ela conta a história de Finn, o humano; e Jake, o cachorro; na fantástica Terra de Ooo.

Para elaborar minhas considerações sobre o que aparece na animação, eu vou tentar não parecer aquela gente louca que fica falando das mensagens subliminares dos desenhos da Disney ou então a mãe da Carrie de Carrie, a Estranha, uma religiosa louca que acreditava que praticamente tudo era pecado. Vou tentar enumerar o post, mas apenas para falar de cada aspecto, a numeração não é nenhuma colocação sobre nada.

1. Um mundo de demônios: Adventure Time apresenta um mundo onde o garoto Finn vê e tem de lidar com diversas formas de demônios, sejam os seus internos, sejam os verdadeiros demônios que são mesmo do lado do mal. Em vários episódios, a dupla de amigos vai ao inferno, à terra da morte, à lugares cheios de demônios, para resolver alguns problemas ou ajudar a alguém. O que pensar sobre isso? Se isso fosse uma representação da nossa vida humana, acho a série muito real, pois, seja de Deus ou não, as pessoas têm que lidar diariamente com forças malignas e/ou estranhas e não dá para se esconder embaixo do seu edredon a vida toda. Você tem todo o direito de falar: Jess, isso é só um desenho, não procure pelo em ovo! Mas eu não acho ruim que o criador da animação queira passar alguma mensagem com seu trabalho, seja ela boa ou má.


2. Um mundo livre: Falam que os EUA são uma nação livre, mas você não pode ser exatamente o que quiser lá. Aliás, no capitalismo contemporâneo, não dá para ser muito sonhador, você tem que se encaixar no mundo, se não você fica à margem dele, vira um mendigo de rua. Em Adventure Time é pregado sobre um mundo onde você escolhe a sua profissão e o que deseja fazer da vida. A Princesa Jujuba (ou Bubblegum) nasceu para a realeza, mas isso não significa que ela precisa ser uma princesinha no vestido com a vida entediante de ser linda e encontrar um marido. Ela é uma cientista, vive fazendo experimentos e decidiu se aprofundar nos estudos. E qualquer garota pode ser uma princesa, seja feia, bonita, estranha, anormal, ou apenas deslocada. Vide princesa Frutinhas, Trapo, Fantasma e a minha favorita, a princesa Caroço.

3. Um mundo pansexual: Não me agridam por ler isso, mas na Terra de Ooo, se você nunca percebeu, até o momento Finn é o único humano (tem outra pessoa que é também, mas não vou soltar spoilers aqui). Nessa terra um porco e uma elefanta podem namorar, Finn está apaixonado por um ser do fogo e uma de suas melhores amigas é uma vampira; e a Princesa Frutinhas é mesmo uma fruta. Se você pode se relacionar com qualquer tipo de espécie, bastando que ambos queiram isso, nada impediu o Rei Gelado de fazer um remendo de todas as princesas para ele, criando um monstro digno de filme de serial killer. Não acho que o desenho pregue isso como uma verdade, mas acho que ele incentiva uma liberdade de mentes, liberdade de conceitos como família, escola, igreja ou qualquer coisa do tipo. E aí cabe a você achar que isso é ruim ou não é. E sim, acredito que o mundo, o nosso mundo, está caminhando para essa realidade.

4. Uma esfera espiritual pesada: a não ser que você seja um satanista ou uma pessoa que não dá a mínima para essas coisas, Adventure Time possui vários finais sinistros, como quando a grande Goliad é construída e então ela deseja tomar a terra de Ooo para si. Embora ela esteja sendo detida, essa luta durará para sempre? E se alguém interromper o processo e Goliad ficar solta novamente? Além disso, podemos citar também as diversas vezes em que o pai da Marceline aparece ou quando Finn se transforma em um demônio. Outro episódio sinistro é o que Jake está meio doidão e enquanto Finn dorme, ele está esperando há 6 meses por sua festa de aniversário. Jake não percebe que estão todos desaparecidos e tenta deter Finn de buscar pela verdade. É divertido? Sim. É nonsense? Sim. Mas é sinistro e não deve ser assistido por crianças? Talvez. Achei esses conflitos e tantas visitas ao inferno algo estranho demais para uma criança compreender.

Mas quem sou eu para falar sobre isso? Talvez as minhas ideias são de preservar as crianças o máximo possível do que o mundo realmente é. E é provável que isso não seja necessário, pois minha geração cresceu com a sexy Betty Boop dançando de lingerie, o Pato Donald obrigando seus sobrinhos a fumar um monte de charutos ao mesmo tempo e o gato da Cinderela ser chamado de Lúcifer. E mesmo com todos esses exemplos duvidáveis, não crescemos todos perturbados, não é mesmo? Então, na real, Adventure Time não é um desenho para crianças pois elas não saberiam apreciar suas referências nerds, apenas isso. Creio que o resto é absorvido por elas de outra maneira, pois não virei fumante, striper nem satanista por causa dos desenhos e só quando cresci fui perceber o quão macabro era o Mestre dos Magos.

Antes de me chamar de cristã louca, leiam o meu texto até o fim, aí vocês perceberão a minha conclusão, apesar das minhas severas observações.
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2 comentários sobre “Mitos e considerações sobre as verdades apresentadas em Adventure Time

  1. Gostei da postagem, concordo com o que você disse, Adventure Time é algo bem complexo. O traço infantil acho que é proposital para aliviar as coisas pesadas que são abordadas na animação.

  2. Por partes, como meu bom amigo Dexter…

    1 – Xamânica esta coisa de “ir ao inferno para ajudar as pessoas”. No xamanismo isso é um conceito bastante presente, o xamã, ou “medicine man” é aquele que tem o objetivo de curar o enfermo, se ele tem que “ir aos céus” ou “descer ao inferno” para isso, não interessa muito. Acabou me lembrando a representação de muitos de meus sonhos, que espíritas inveterados insistem em dizer que se tratam de viagens atrais…

    2 – Não há liberdade hoje, há apenas um mundo xarope! Houve alguma liberdade na década de setenta, curiosamente… Mas hoje mesmo só há xarope. Eu não tenho visto muito dos desenhos atuais, uma coisa curiosa que vi nos poucos que vi em contra-partida aos desenhos originários nas décadas de 60, 70 e 80 é que, muitos dos desenhos destas décadas permitiam a “fantasia” enquanto os de hoje conduzem as pessoas a este molde de consumismo capitalista moderno.

    3 – Pansexualismo é legal! Quando conheci o conceito ali pelo fim da década de oitenta (sou meio precoce) não me pareceu fazer muito sentido. Pois no contexto em que conheci o termo pude apenas imaginar pessoas transando com árvores. Acontece que hoje a gente transa com vibradores, meros artefatos plásticos… Então a coisa adotou um novo contexto, sem falar neste gancho de plurarismo e quebre de paradigmas e de preconceitos que acabam indo do sexo interracial (coisa proibida antigamente) até a coisa do vibrador e o “amor” (não gosto muito desta palavra) propriamente dito entre seres vivos, ou não (risos). Mas apesar de ver isso como um ponto positivo tem esta coisa do mundo xarope. Não acredito que estejamos caminhando para tal, apenas temos hoje um número maiores de pessoas que, talvez, possam “amar” o próximo mesmo que ele não seja um semelhante. Acontece que do outro lado temos ainda mais pessoas, uma coisa de proporções que se mantém…

    4 – Sobre ser impróprio a crianças, procure ler os originais dos contos Grimm, que, claro, são para crianças! Hoje o mundo é xarope (credo, como repito isso) e portanto existe a atmosfera de se privar as crianças de tudo! Há uma super-proteção. Do meu ponto de vista, que venho de outras décadas, tudo que isso tem produzido são adultos cada vez mais imaturos e frágeis a se deparar com o inevitável encontro com a vida. Claro que não estou defendendo que crianças precisam ter experiências traumáticas ou mesmo violentas, o que estou dizendo é que, “ver o mundo como ele é”, faz bem, e até prevê as experiências traumáticas. Claro, nem sempre as crianças vão entender as referências nerd´s, mas muitas vezes vão ver que “todo aquele colorido não é tão lindo assim”. Isso é importante, principalmente para que, no futuro, possam perceber como aquele nanico do Mestre dos Magos era um sujeito ardiloso! São peças de um quebra-cabeças que formam pessoas. 😀

    Ps.: ser striper é cool e, entre quatro paredes, pode salvar relacionamentos.

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